Menopausa precoce: Saiba tudo sobre Falência Ovariana Precoce

O que é?

A falência ovariana precoce (FOP) ou insuficiência primária ovariana é definida como perda da função ovariana antes dos quarenta anos de idade. Os ovários deixam de produzir hormônios essenciais para ovulação, e assim, os ovários não liberam mais óvulos. Um dos principais inconvenientes dessa menopausa prematura é a infertilidade. Mesmo com a reposição hormonal adequada, o quadro de infertilidade se mantém.

 

Causas

A falência ovariana precoce pode ter duas causas principais: depleção folicular ou disfunção folicular.

Depleção folicular: é originada devido a defeitos genéticos ou iatrogênicos. Os principais defeitos genéticos são: Síndrome de Turner e Síndrome do X Frágil.

A Síndrome de Turner é uma síndrome rara que geralmente é diagnosticada previamente porque apresenta uma série de sintomas característicos como baixa estatura, orelhas de implantação baixa, pescoço alado, puberdade tardia, malformação cardíaca e renal, dificuldades para aprendizagem e ausência de menstruação. A mulher portadora da síndrome de Turner apresenta só um cromossomo sexual X ao invés de dois. Essa alteração também pode desencadear o quadro de falência ovariana precoce.

A Síndrome do X Frágil é uma síndrome que causa deficiência intelectual de leve à grave. Ela afeta homens e mulheres, sendo que estas costumam ter sintomas mais leves. Os principais sintomas incluem: atrasos na fala, ansiedade, autismo, comportamento hiperativo, orelhas grandes, rosto comprido, mandíbula e testa proeminentes e pés achatados. É causada por uma mutação no cromossomo X que também pode desencadear falência ovariana precoce.

Quimioterapia e radioterapia também originam mutações genéticas no DNA e podem levar à falência ovariana precoce através de depleção folicular. Outros fatores mutagênicos como tabagismo, produtos químicos e alguns vírus também podem contribuir para o desenvolvimento da doença. As causas iatrogênicas são cirurgias e retiradas dos ovários bilateralmente

Disfunção Folicular: pode ser causada por doenças autoimunes ou fatores ainda desconhecidos.

No caso de doenças autoimunes, o sistema imunológico da mulher produz anticorpos que reconhecem as células do ovário como estranhas e atacam estas, destruindo-as. Isso prejudica os folículos e óvulos e interfere no funcionamento normal dos ovários. O motivo disso acontecer ainda não é conhecido, porém, já se sabe que algumas infecções virais podem estar relacionadas.

Se o problema não for autoimune, é recomendável uma inspeção mais profunda com exames mais específicos para tentar descobrir quais são os fatores envolvidos na causa da falência ovariana precoce.

 

Fatores de Risco para Desenvolver Falência Ovariana Precoce

Os fatores de risco para desenvolver a doença são:

  • Idade: o risco de desenvolver a doença aumenta entre 35 e 40 anos
  • Histórico Familiar: o risco de desenvolver falência ovariana precoce aumenta se já há outros casos na família

 

Sintomas

Os sintomas da falência ovariana precoce se assemelham àqueles vivenciados por mulheres que estão em menopausa natural, com típica deficiência de estrogênio:

  • Ciclos menstruais irregulares
  • Fogachos (ondas de calor)
  • Sudorese noturna
  • Secura vaginal
  • Irritabilidade
  • Dificuldade de concentração
  • Desejo sexual diminuído
  • Infertilidade

 

Complicações da Falência Ovariana Precoce

A infertilidade é a principal consequência da FOP. Na maioria das vezes, a mulher apresenta dificuldades para engravidar que também é agravada pela idade mais avançada, fator que sozinho já determina diminuição da fertilidade.

A osteoporose é uma complicação secundária que também está presente na menopausa natural. Os riscos de desenvolver osteoporose aumentam porque o estrogênio, hormônio responsável por manter a densidade mineral óssea adequada, encontra-se diminuído nos casos de falência ovariana precoce e menopausa natural (climatério). A osteoporose e osteopenia aumentam os riscos de fraturas ósseas.

Depressão e ansiedade são distúrbios comuns nessa fase de vida da mulher e devem ser acompanhados por um profissional da saúde.

 

Quando procurar um médico?

Se você percebeu que sua menstruação está irregular ou ausente há mais de três meses, procure um médico. A ausência de menstruação pode ser causada por vários fatores, inclusive gravidez, mudanças na rotina e estresse, porém, também pode ser um sinal de falência ovariana precoce.

 

Como diagnosticar?

Após a avaliação do seu ciclo menstrual, exposições recentes, histórico familiar, exames ginecológicos e anamnese, seu médico irá solicitar alguns exames como:

  • Teste de gravidez para descartar a possibilidade de a ausência de menstruação ser consequência de uma gestação
  • Dosagem do Hormônio Folículo Estimulante (FSH), responsável pelo crescimento dos folículos ovarianos. Mulheres com Falência Ovariana Precoce geralmente apresentam níveis séricos altos de FSH
  • Dosagem de estradiol, que, em mulheres com FOP, está diminuído
  • Dosagem de prolactina para descartar a hipótese de que a ausência de menstruação seja causada por hiperprolactinemia (alta concentração de prolactina)
  • Exame de cariótipo para diagnóstico de alterações cromossômicas que possam originar a falência ovariana precoce (Síndrome de Turner – XO)
  • Teste genético FMR1. A síndrome do X frágil é caracterizada por uma alteração nesse gene. A presença de mutação no gene FMR1 pode originar falência ovariana precoce.

 

Como tratar?

O tratamento é realizado com o objetivo de resolver problemas causados pela falta de estrogênio, portanto, seu médico pode indicar terapia estrogênica para compensar a falta do hormônio estrogênio, reposição de cálcio e vitamina D para prevenir que você desenvolva osteoporose e osteopenia, e tratamento da infertilidade.

A terapia com estrogênio irá prevenir o aparecimento de osteoporose e dos fogachos. Muitas vezes o estrogênio é prescrito em combinação com outro hormônio, a progesterona, para proteger o endométrio. Esse tratamento pode fazer com que ocorram sangramentos vaginais, porém, eles não estão relacionados à restauração da função ovariana.

Uma nova técnica para tratamento da falência ovariana precoce revolucionou a forma como enxergamos a doença. A Ativação Ovariana in vitro, do inglês in-vitro Activation (IVA) foi desenvolvida por um grupo de pesquisadores na Universidade de Stanford, liderado pelo Professor Aaron Hsueh. Essa técnica permite que a mulher com falência ovariana precoce possa engravidar com os seus próprios óvulos liberados pelos seus próprios ovários através de ativação artificial de seus folículos dormentes. Ela não trata somente os sintomas, como o faziam as terapias até o momento, mas atinge a causa da falência ovariana precoce diretamente.

Através de alterações em genes, procedimentos cirúrgicos e in vitro, os ovários de mulheres com falência ovariana precoce voltam a funcionar normalmente. Mais de quinze bebês já nasceram através da IVA. Os estudos prosseguem para aprimorar a técnica.



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