Tratatamento com Ovodoação para Receptora

O tratamento de fertilização in vitro (FIV) pode ser a única forma de atingir o sonho da maternidade para algumas mulheres. Em alguns casos, as pacientes inférteis não conseguem engravidar mesmo com o tratamento de FIV e o problema pode estar em seus óvulos. A falência ovariana precoce e a menopausa natural são duas principais causas que incapacitam a mulher de liberar seus próprios óvulos. O estoque de óvulos é reduzido drasticamente e os ovários cessam sua atividade, fazendo com que a mulher não ovule mais.

A falência ovariana precoce, também conhecida como menopausa precoce, apresenta a maioria dos sintomas da menopausa natural, porém, a primeira pode acontecer até mesmo antes dos 30 anos enquanto a segunda acontece entre 48-50 anos. Com o avanço da ciência, estão surgindo novas técnicas que podem mudar esse cenário, como é o caso da técnica in vitro activation (IVA) que pode ser realizada em mulheres com menopausa precoce1,2,. Esse tratamento combina técnicas cirúrgicas e ativação genética/terapia farmacológica para que a mulher volte a ovular e tenha a possibilidade de ter um filho com suas características físicas. O procedimento de IVA já foi realizado em outros países e resultou no nascimento de bebês saudáveis. É possível que ele chegue ao Brasil em um futuro próximo.

No Brasil, a única alternativa para essas mulheres continua sendo a doação de óvulos. A paciente irá receber óvulos de uma doadora e fertiliza-los com o sêmen do marido para posterior transferência de embrião. É nesse momento que surge o medo e o receio de o futuro filho não se parecer com os pais quando ele nascer. Para diminuir esse medo, a equipe médica seleciona doadoras com as mesmas características físicas da receptora. Os pais têm acesso a uma ficha completa de informações que preservam o anonimato (não há nome e nem foto da doadora disponível aos pais). A ficha tem como principais variáveis: cabelo, cor dos olhos, cor da pele, altura, avaliação sorológica, avaliação psicológica, histórico familiar e tipo sanguíneo.

Infelizmente, não existe uma lei governamental que regulamenta os procedimentos de reprodução humana. Portanto, essa demanda levou o Conselho Federal de Medicina (CFM) a criar uma resolução própria que é atualizada a cada três anos sobre as normas éticas e procedimentais que devem ser seguidas pelos especialistas em reprodução humana.

Segundo a Resolução do CFM de nº 2.168/2017, a doação de gametas deve ser gratuita, anônima e realizada através de assinatura de consentimento livre e esclarecido sobre os procedimentos que a paciente deverá se submeter. A resolução também determina que a idade máxima para participação como doador nos processos de reprodução humana é de 35 anos para mulheres e de 50 anos para homens.

A doação de óvulos já é realizada desde 1984, quando a técnica de FIV foi considerada segura e originou bebês saudáveis. Uma grande questão que já foi muito discutida é: qual é a motivação para uma mulher jovem e saudável se submeter à estimulação hormonal que pode originar efeito adverso e desconforto e a um procedimento minimante invasivo, porém, cirúrgico para aspiração folicular? No Brasil, essa motivação não pode ser o comércio de óvulos, como acontece em outros países, já que a doação é gratuita. Também não é possível que familiares e amigos doem suas células já que a doação é anônima.

Uma estratégia adotada para contornar esse problema é a doação compartilhada. Geralmente, a doadora é uma mulher jovem e saudável que também precisa do tratamento de fertilização in vitro devido a problemas tubários ou fator masculino infértil. Na maioria das vezes, ela não pode pagar pelo tratamento. Assim, a receptora terá que se responsabilizar pelos custos do tratamento de FIV para a doadora e para si própria em troca de receber metade dos óvulos da doadora. Essa relação deve ser estabelecida de forma a respeitar e garantir que as duas partes tenham os benefícios que necessitam sem que haja prejuízos para ambas.

O custo do tratamento não sofre muita alteração para receptora. Só será necessário realizar a estimulação ovariana e aspiração folicular uma vez (na doadora). Os óvulos aspirados da doadora serão levados ao laboratório para análise da qualidade embrionária e serão divididos de forma justa e equilibrada (embriões de alta qualidade e de baixa qualidade serão destinados em igual porcentagem à doadora e à receptora). Por outro lado, a receptora deverá pagar por duas transferências de embrião (uma para si própria e outra para doadora). A administração de progesterona pós-transferência também deverá ser paga em dobro. Após 11-14 dias, é possível realizar o exame de gravidez para verificar o resultado da fertilização in vitro. Em outros países, é possível comprar óvulos e esse processo de doação compartilhada não é necessário.

As taxas de sucesso, aborto, riscos de malformações congênitas e de efeitos colaterais durante o tratamento são considerados similares entre a fertilização in vitro normal e a realizada com ovodoação. A duração do processo para encontrar uma doadora compatível com a receptora é variável, porém, em média, é de três meses. A receptora e a doadora estabelecem uma relação de confiança e ajuda mútua em prol do grande sonho de ser mãe.

 

Referências:

  1. Kawamura K, Cheng Y, Suzuki N, Deguchi M, Sato Y, Takae S, Ho CH, Kawamura N, Tamura M, Hashimoto S, Sugishita Y, Morimoto Y, Hosoi Y, Yoshioka N, Ishizuka B, Hsueh AJ. Hippo signaling disruption and Akt stimulation of ovarian follicles for infertility treatment. Proc Natl Acad Sci U S A. 2013.
  2. Kawamura K, Cheng Y, Sun YP, Zhai J, Diaz-Garcia C, Simon C, Pellicer A, Hsueh AJ. Ovary transplantation: to activate or not to activate. Hum Reprod. 2015

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