Início dos Remédios

Durante os procedimentos de reprodução assistida são utilizados diversos medicamentos que podem ser orais ou, na maioria das vezes, injetáveis.

É muito importante que os casais conversem com o médico especialista em reprodução humana e perguntem como cada medicamento age no organismo. Isso vale principalmente para as mulheres, pois serão elas que receberão a maioria dos remédios.

Para compreender a necessidade e papel de cada medicamento no processo de fertilização in vitro, é necessário entender como ocorre a ovulação e fecundação natural.

 

Entenda o processo de ovulação e fecundação

O ciclo menstrual é reflexo de que o estado hormonal está funcionando corretamente e que resultará na ovulação de um único óvulo. Sabemos que esse processo ocorre no ovário, mas, como tudo em nosso corpo, os comandos para cada ação vêm do nosso cérebro. Existe uma estrutura muito importante no cérebro chamada hipotálamo, que trabalha em sintonia com a glândula hipófise. O hipotálamo e a hipófise controlam o funcionamento do ovário, responsável pela liberação dos óvulos (formados quando as mulheres ainda estão no útero de suas mães), produção do hormônio estrogênio e do hormônio progesterona.

O ovário possui milhares de óvulos, mas durante cada ciclo menstrual natural, somente um óvulo alcança o pico ovulatório, ficando disponível para a fecundação. Esse processo se dá logo após o começo da menstruação, quando o hipotálamo manda um sinal para a hipófise liberar o hormônio FSH (Hormônio Folículo Estimulante). Esse hormônio estimula os ovários, que seleciona um folículo (às vezes dois, no caso de gestação gemelar natural) para se desenvolver entre 10 e 14 dias, até a data da ovulação. Durante esses dias, o folículo produz o hormônio estrogênio, que ajuda no crescimento do endométrio no interior do útero. Quando ele alcança o diâmetro de aproximadamente 18 milímetros, um sinal é enviado para a hipófise, que responde com o aumento dos níveis de hormônio LH (Hormônio Luteinizante), determinando a ovulação.

Dessa forma, o óvulo que é liberado pelo ovário é resgatado pela tuba uterina e deve se encontrar com os espermatozoides para fecundação em até 24 horas. Se a fecundação ocorrer, o embrião é formado e é transportado pela tuba uterina em direção à cavidade uterina (esse percurso dura em torno de quatro dias). Nessa fase, o corpo lúteo, estrutura remanescente do folículo que permaneceu no ovário depois da ovulação, inicia a produção do hormônio progesterona, que tem a função de realizar a preparação final do endométrio para receber o embrião.

Após a implantação embrionária no útero, o ovário mantém a produção de estrogênio e progesterona, proporcionando um ambiente ideal para o desenvolvimento do embrião e a saúde do endométrio. Caso não ocorra a implantação, ou seja, a gravidez não aconteça, os hormônios se dissipam em 14 dias, ocorrendo a menstruação.

Todos os tratamentos de reprodução assistida, sejam eles de baixa complexidade, como a relação sexual programada e a inseminação intrauterina, ou de alta complexidade, como a fertilização in vitro, também têm como base todo esse processo, com o objetivo de aproximar o óvulo do espermatozoide e obter a gestação. No entanto, nos tratamentos de reprodução assistida são utilizados medicamentos para aumentar as chances de gravidez.

 

Medicamentos utilizados nos tratamentos

Orais

A indicação dos medicamentos deve ser feita apenas pelo médico especialista em reprodução humana. A seguir serão abordadas as drogas orais mais usadas acompanhadas dos nomes comerciais para facilitar o entendimento. O citrato de clomifeno (Serophene, Clomid ou Indux) é um medicamento que age na hipófise, fazendo com que essa glândula aumente os níveis do FSH e assim produza um maior estímulo ovariano e, consequentemente, mais óvulos. Esse remédio é indicado para tratamentos que têm o objetivo de corrigir problemas de ovulação, como a síndrome dos ovários policísticos, por exemplo.

Também são indicados por via oral os inibidores da aromatase, comercialmente encontrados como Arimidex e Femara, que agem na indução da ovulação.

Injetáveis

As medicações injetáveis são chamadas de Gonadotrofinas e são indispensáveis nos tratamentos de fertilização in vitro, pois propiciam os melhores resultados. Esses medicamentos contêm o hormônio FSH e são classificados pela indústria farmacêutica pelo grau de pureza. O FSH puro (Gonal e Puregon) é produzido pela técnica recombinante. Outros tipos são obtidos por meio de purificação sofisticada da urina de mulheres menopausadas (Bravelle). Ambas devem ser injetadas diariamente por via subcutânea.

Existem também outros tipos de FSH associados ao LH altamente purificado, como o Menopur. O tempo de indução de ovulação para uma paciente é entre 8 e 12 dias. O medicamento Elonva (corifolitropina alfa) reduz o número de aplicações de sete para uma única dose, diminuindo o número de picadas e injeções diárias, o que oferece mais conforto para a paciente. Recentemente, foi desenvolvido o remédio Rekovelle (deltafolitropina) que promete individualizar a dose de gonadotrofina para cada paciente de acordo com a reserva ovariana (estimada através do Hormônio Anti-Mülleriano – AMH) e do peso (kg). O FSH é a medicação escolhida para a maioria dos tratamentos de fertilização in vitro.

 

Lista de remédios que contêm FSH:

  • Gonal
  • Puregon
  • Menopur
  • Pergoveris
  • Fostimon
  • Elonva
  • Rekovelle
  • Outra medicação muito utilizada é o bloqueador de ovulação, principalmente nos tratamentos de maior complexidade, pois ele impede que a ovulação ocorra antecipadamente e os óvulos sejam liberados e “perdidos” antes de serem coletados. Existem duas categorias de medicações: os GnRH agonistas e os GnRH antagonistas. Eles são aplicados por injeções subcutâneas ou via nasal (agonistas) e inibem a elevação do hormônio LH, que causa a ovulação.

 

Lista de bloqueadores de ovulação:

  • Lupron
  • Synarel
  • Gonapeptyl Daily
  • Cetrotide
  • Orgalutran

 

A escolha por qual classe utilizar vai ser feita pelo médico de acordo com o caso da paciente. Os agonistas são aplicados antes do início da estimulação ovariana, e os antagonistas, de cinco a seis dias após o início da indução da ovulação. É importante ressaltar que os medicamentos podem provocar algumas reações, que são extremamente normais. Os agonistas podem provocar secura vaginal, sudorese noturna, ondas de calor e dores de cabeça. Já os antagonistas causam menos efeitos colaterais e necessitam de menos picadas, mas em contrapartida custam mais caro.

Outra droga injetável importante no tratamento de fertilização in vitro é a gonadotrofina coriônica humana (hCG), que tem ação semelhante ao LH produzido pelo organismo, finalizando a maturação dos óvulos. O hCG deve ser utilizado em todos os tipos de tratamentos de reprodução, desde a relação sexual programada até a fertilização in vitro. Na relação sexual programada, o hCG define o melhor momento para o ato sexual e na fertilização in vitro, os óvulos são coletados 35 horas após a medicação ser administrada para a paciente.

Após a fertilização ser concluída, alguns tratamentos ainda necessitam de suporte hormonal, mas isso será decidido pelo médico, que indicará a melhor forma de administrar a progesterona.

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