
Em alguns casos, a infertilidade nas mulheres pode ser causada por alguma alteração no endométrio, camada de tecido muito importante para implantação do embrião que reveste o útero internamente. Essas mulheres apresentam consecutivos insucessos na implantação embrionária, não conseguindo levar uma gestação a diante. Nesse contexto, surgiu o ERA (do inglês, Endometrium Receptivity Assay),um teste que auxilia na prevenção de falhas de implantação consecutivas e indica o melhor dia para a transferência de embrião durante o tratamento de fertilização in vitro(FIV).
O teste ERA avalia o estado de receptividade endometrial ao analisar 248 genes que estão envolvidos no processo de receptividade, ou seja, o momento no qual o endométrio está pronto para receber o embrião. O exame é realizado através da biópsia de uma pequena amostra de tecido endometrial, que é um procedimento fácil e rápido de ser realizado por um ginecologista. A partir dessa amostra, é obtido o RNA por técnicas genéticas para análise dos genes de interesse. Através dessa análise genética minuciosa, é possível prever qual será o melhor dia para a transferência de embrião, de acordo com a receptividade endometrial.
Algumas pacientes podem ter a janela de implantação (período adequado para transferência) deslocada, ou seja, em um período diferente do que é padronizado pelos protocolos de fertilização in vitro. Assim, o ERA ajuda a personalizar a transferência de embrião, reduzindo as falhas de implantação e aumentando as chances de gravidez.
Esse teste é indicado para pacientes que:
- Já realizaram o tratamento de FIV com embriões de alta qualidade e mesmo assim apresentaram mais de duas falhas de implantação.
- Desejam prevenir falhas de implantação, já que 30% das mulheres podem apresentar janela de implantação deslocada e precisam de transferência de embriões personalizada (em um outro período, diferente do convencional).
Além do teste de ERA, que prioriza a análise genética do endométrio, existe o teste EMMA (do inglês, Endometrium Microbiome Metagenomic Assay), que avalia a microbiota (conjunto de bactérias) que estão presentes no endométrio. Esses dois testes proporcionam um passo à frente na medicina individualizada e baseada em evidências científicas, a nova tendência na área da saúde para ajudar o médico a escolher a melhor decisão clínica para sua pacientes.